Em muitos momentos da vida, conhecer outra pessoa é encontrá-la na rua, na parada de ônibus, ser apresentado(a) por um amigo(a), estudando junto, na balada, etc. Nessas situações, a única coisa em que somos testados é a habilidade em manter uma conversa agradável, interessante e bem-humorada. Não é raro as pessoas que, depois de uma boa conversa, se adicionam no Facebook, seguem no Twitter, adicionam também no Skype, Orkut (?), trocam e-mails (desculpa, Pepe, mas raramente alguém faz isso, acho até que o Orkut seria mais provável, quem manda você ser anti-redessocialista*?).
Chegamos então ao real maior desafio na vida de alguém que está querendo impressionar outra pessoa: a hora da escrita. Já aconteceram muitas vezes comigo de encontrar alguém, conversar e achar a pessoa interessantíssima, adicionar no Facebook e...
Fulano:
Oi, td bein com vs?Eu:
Tudo. E com você?Fulano:
Haha, con migo ta td serto. Engrassado como agente si conheçeo ne?
Tão engraçado que está escorrendo lágrimas dos meus olhos agora.
Eu já vi cada modalidade de palavras que as pessoas conseguiam transformar numa coisa completamente grotesca! Tenho certeza que elas estão trabalhando na criação de um outro idioma e testando para ver se cola. Sério, já me deparei até com isso: "Amasta de vai ter ônibus", "Dormir que amastarde pertence a deus". Confesso que o primeiro "Amasta de" eu demorei muuito para entender. Tive que pedir ajuda aos universitários! O pior é que a gente fica até constrangido de tentar corrigir alguém assim. Cara, eu até que queria te ajudar, maaaas...
A dor no coração bate, não é? "Poxa, cara, você é tão bonitinho, por quê???" E é por isso que você, leitora, ou você, leitor, estão solteiros ainda. Eu entendo vocês. A gente só queria alguém que soubesse que antes de p e b se usa m, né?
Não estou dizendo aqui que eu sou a Aurélia do português. Eu também erro quando escrevo, principalmente na regra do "porque", "por que", "porquê" ou "por quê", OK, sociedade? Mas o que vemos hoje em dia são erros primários, coisas básicas que qualquer pessoa que lê livros ou teve um bom ensino fundamental sabe.
Claro que chega a ser uma coisa engraçada quando estamos conversando com alguém que solta uma pérola dessas, mas vou deixar para terminar esse texto agora de uma forma séria (ou quase). A culpa, na maioria dos casos, nem é da própria pessoa que está escrevendo errado, mas de uma educação básica que não foi de qualidade, falta de incentivos na leitura, na interpretação de textos e no raciocínio lógico na contextualização de problemas. A deficiência é tanta que, na maioria dos casos, uma criança de ensino fundamental não consegue resolver um problema de matemática que não diga, explicitamente, quais operações e dados elas devem usar para resolver uma simples conta.
Sim, eu já vi isso com meus próprios olhos. Os jovens não são motivados a lerem seus livros didáticos ou a estudarem por eles. A fórmula mágica é apenas "decorar" as respostas de qualquer questionário e repeti-las na prova.
É triste, mas é a realidade da maioria das pessoas que, depois de crescidas, continuam levando a vida do mesmo jeito que aprenderam a levar: com fórmulas prontas e nenhuma força de vontade. Pior, o mercado de trabalho para esse tipo de pessoa é desvalorizado e com salários tão pequenos, resultando talvez, na formação de uma nova família precária que novamente será vítima do mesmo sistema de ensino público falho.
É uma coisa a se pensar. Passo essa bola para vocês, o que acham?
(*Em algum próximo post, explicaremos melhor do que se trata o redessocialismo e o movimento que se opõe a ele, o anti-redessocialismo).
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