Quando somos crianças, tudo que mais queremos é chegar logo na vida adulta. Observamos, com grande admiração, à aparente auto-suficiência das pessoas que já chegaram nos 18 anos, 20 anos e torcemos para que o tempo passe tão rápido para a gente quanto provavelmente passou para eles.
Afinal, tudo de melhor do mundo (segundo seu critério de criança) já é possível nessa idade. Dormir tarde, assistir qualquer filme, comer o que quiser, sair de casa sozinho, trabalhar, mandar em si mesmo. E nada mais encantador do que a ideia de finalmente poder realizar todos esses sonhos. A vida com 18 anos deve ser perfeita, não é? Imagina com os vinte? Já estaríamos trabalhando, com uma casa própria e quem sabe, construindo uma família.
ERRADO.
Quando eu era criança, tinha essas mesmas ilusões. Certa vez, cheguei a marcar dia após dia do meu calendário, contando nos dedos quanto tempo ainda faltava para completar meus 18 anos. Sabem por quê? Porque eu acreditava piamente que, com essa idade, eu já seria independente, já seria uma adulta, séria e responsável. Estaria na minha própria casa, quem sabe comprando meu próprio carro e, por que não, fazendo meu curso na universidade.
Acontece que, sem que tenhamos a chance de perceber, o nosso tempo passa voraz e impiedoso. Sem direito a pausa. O mundo está em constante movimento e assim que começamos a criar os primeiros lampejos de razão, somos engolidos pela realidade. E ela é como um rolo compressor que nos impede de ficar parados no mesmo lugar, com o risco de sermos esmagados pelo seu ritmo pesado.
Acontece que, assim que nos damos conta, estamos sendo responsáveis por decisões que irão mudar definitivamente nossas vidas. Estamos suscetíveis a frustração de perceber que ser auto-suficiente não é tão fácil quanto imaginávamos e que ainda falta muito trabalho duro até chegar lá. Principalmente percebemos que ainda somos tão infantis e medrosos quanto éramos uns anos atrás. A diferença é que agora não há mais espaço para olhar o mundo por trás de uma janela. Agora nós temos que encarar as consequências, os relacionamentos, as decepções, as mágoas. Nos deparamos com o egoísmo, com a ambição, com a mesquinharia.
Nessas horas, como uma ironia da vida, desejamos poder voltar àquela época em que nossa maior preocupação era não deixar nosso tamagotchi morrer ou não perder o episódio de Dragon Ball de manhã. Onde nosso maior desafio era ligar o coelho à sua toca ou qual peça encaixar naquele jogo de tetris.
Sim, eu estou pertinho de fazer aniversário e me peguei numa crise existencial refletindo sobre tanta coisa que passou tão rápido e que eu queria poder viver de novo. Viver melhor. Principalmente por perceber que, mesmo chegando à idade que definitivamente me classifica como adulta (não é 18 não, viu, gente), ainda me sinto tão jovem quanto era há 5 anos, por exemplo. E isso é meio estranho porque quando eu era criança, achava que com 18 anos, eu já seria madura e experiente, mas quando a gente cresce, muita coisa muda.
Sortudas são as crianças. Infelizmente, elas só vão se dar conta disso quando deixarem de ser.